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A Contempo é uma revista de literatura brasileira contemporânea com o objetivo de divulgar a produção de poetas nacionais de forma democrática. Entendemos as revistas e periódicos literários, digitais ou impressos, como meios essenciais para inserção e circulação de autores no mercado editorial.


Criada em 2020, é organizada em volumes anuais e números mensais. Inicialmente, serão publicados 3 autores por semana, totalizando 12 postagens por mês. Com o aumento do fluxo de originais recebidos, este número pode crescer. O projeto gráfico será desenvolvido, principalmente, nas redes sociais, através do facebook e instagram.



A composição do corpo de autores se dá a partir da submissão e originais pelo e-mail da revista, descrita aqui.


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3 poemas de Lorena Grisi

Pó Todo pó respirado contém oitenta genealogias. Debaixo do osso, nervos adormecem. ********** Sexta Eu vi o mundo acabar um pouquinho, mas tive de ir comprar frutas no supermercado, era sexta, eu vi. Acabava sem fogo ou água, penso nos tantos tolos torcendo, agora tristes, pobres, desde sempre. Há fila e as moças do caixa, todas elas, agora são uniformizadas com laços e coques nos cabelos. Penso no que será de meus cabelos e de meus ossos. Foi pelo chão, que se abriu, mas era sexta, e a cada dia há mais gente que trabalha três turnos. Três são os restos do mundo, guardemos em relicários: dois dedos de terra, rasgos de tecidos, a memória dos dentes. ********** Quadrinha da imunidade presidencial Eu não morro de facada, gripezinha não me pega. Não tem nada a ver com classe, é histórico de atleta. ********** Lorena Grisi é escritora e vive em Salvador (BA). Tem formação em Letras pela Universidade Federal da Bahia e é revisora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tec

4 poemas de Divanize Carbonieri

Asfixia asfixia das salas de estar nossa onipresença ainda sã passeia pelas peças tomadas por tantos alvéolos flutuantes num ar paralisado e viscoso as vias que levam à varanda também estão atravancadas as mãos em torno da garganta só não estrangulam a vontade de apenas voltar a respirar o pulmão fibroso aguarda sobre a travessa de faiança que o desfaçam em filetes para alimentar os pássaros pousados no nevoento quintal muitas criaturas ainda vivem embora a morte vã já tenha contaminado nossas camas conectadas que estamos aos poucos respiradores de sonhos o último sopro será dado entre as parcas paredes da casa prestes a sucumbir enquanto os cães ocupam o asfalto que cede sem nós *********** Verniz o ovo não escorregou da mão nem foi o leite que se derramou o pão não se perdeu para o bolor nem a carne se encheu de vermes se a comida permanece intacta por que há a sensação de falta uma escassez que não é de víveres ameaça o verniz de normalidade ninguém mais pode se

Marina Magalhães | três poemas

Prelúdios do afogamento. Para violino. Por fim, quando deixarás de alimentar os teus naufrágios? Me perguntaste sem saber que tripulação alguma deseja a própria morte. Nada podem fazer se a carcaça, já tão cheia de buracos, continua       sempre            a afundar.                   A marcha                   fúnebre faz                   glub.                   glub.                   g                   l                   u                   b. *********** Amor de prateleira Os dias vêm sobrando, transbordadas as horas pelo vidro. Tempo deixado em conserva é salgado demais para gente [hiper]tensa. E amassados pelas quatro paredes, a pressão só aumenta. O medo não é que pare o coração. É que ele escorra para fora do copo de conserva, licoroso sobre a estante. O resto engarrafado em plástico sem rótulo. Fosse ele a sobra desvalida. Esquecido, até passada a data de vencimento. *********** Não posso me exilar de mim Melhor seria dar adeus à nossa pátria, é a história que