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Mostrando postagens de Julho, 2020

Marina Magalhães | três poemas

Prelúdios do afogamento. Para violino.

Por fim, quando deixarás
de alimentar os teus naufrágios?
Me perguntaste sem saber
que tripulação alguma deseja a própria
morte. Nada
podem fazer se a carcaça,
já tão cheia de buracos,
continua
      sempre
           a afundar.
                  A marcha
                  fúnebre faz
                  glub.
                  glub.
                  g
                  l
                  u
                  b.
***********
Amor de prateleira

Os dias vêm sobrando,
transbordadas as horas pelo vidro.
Tempo deixado em conserva
é salgado demais para gente [hiper]tensa.
E amassados pelas quatro paredes,
a pressão só aumenta. O medo
não é que pare o coração.
É que ele escorra
para fora do copo de conserva,
licoroso sobre a estante. O resto
engarrafado em plástico sem rótulo.
Fosse ele a sobra desvalida.
Esquecido,
até passada a data de vencimento.
***********
Não posso me exilar de mim

Melhor seria dar adeus à nossa pátria,
é a história que vens narrando em voz de naufrágio.
Como se pa…