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ESTAMOS NO AR!


A Revista Contempo estreia nesse abril de 2020 com o compromisso de circular a poesia brasileira contemporânea. Por acreditar nas revistas e periódicos, digitais ou impressos, como espaços democráticos para a promoção da literatura, temos o prazer de fazer o convite para que originais sejam enviados de acordo com as diretrizes descritas aqui. Vamos juntos!

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Postagens mais visitadas deste blog

6 poemas de Lau Siqueira

Sertânica

Metade era
soco

outra metade
sopro

e tudo era tanto
pro meu coração
tão pouco
********** Tapera
O tempo é uma casa
desabitada e esquecida
no meio da estrada.

Quem passou por ela
e viu apenas uma
casa, na verdade não

viu nada.
********** Cânone

aquele poeta
e sua postura
quase mística

escreve
enchendo
linguística
********** Letal

aqueles seios bélicos
apontando seus bicos

...
pequenas torres
do desejo derretendo
em minha
boca ********** Esgrima

metade de mim
é um beco sem saída

caminho sem volta
traçado sem tropeço

lonjuras disfarçadas
desde o começo ********** Gravataria tropical

O homem nos tribunais de cada
dia. A mulher também. Porém,
em inumerável menor número.

Ele na gravata. Ela no salto.

(a vida, na aparência, é o lugar
onde tudo sorri)

A equivalência do salto com a
gravata. A abotoadura digital.
O perfume franco-chinês. Os
babados. Os clichês.

Os que buscam nos códigos
da justiça as leis do sangue
derramado...

Os donos da fome.
Os industriais da infâmia.
Os calhordas da nova ordem.

Os executores do estático
no mundo em movimen…

3 poemas de Isabela Sancho

Greve no zoo

Não serás feroz como esperam
os milhos estourados
do outro lado da jaula.
Dividirás teu bife
com as moscas.
Não rasgarás carnes
que não são caças,
nem copularás didática.
Às três da tarde
talvez demonstres
um mijo lateral,
teu sono de costas
com um rabo que não espanta
o tédio aos tapas -
mortífero aos pais
e suas crianças.

********** Ave

O tempo autoafirmado -
nunca terei uma irmã.
O tempo -
o que sei de ser mãe
é o que noto na minha.
Por entre as pernas,
as marionetistas
botam os seus bonecos
e gritam por eles -
o tempo!
Um parto sem filho -
sempre brinquei de viver
o que não me acontecia
e mantive meu corpo
intacto.
A arte me amará de volta
quando formos velhas?
Nunca saberei o que é ser uma galinha.
Nunca o que é
o próprio pinto entre as mãos.
********** Chá de bebê

Há tantos hormônios no ar
que preciso tomá-lo lá fora
pra não correr o perigo
de meu corpo ser induzido,
sincronizado a contragosto.
Isso já acontece na eliminação,
todas sabemos.
Será que também ocorre
o contágio do contrário?
Minha barriga está chapada …